Prefeito de São José dos Campos propõe loteria municipal e enfrenta críticas de líderes evangélicos

A proposta do prefeito Anderson Farias (PSD) de criar a “Loteria Municipal Joseense” provocou revolta entre líderes religiosos de São José dos Campos. O projeto, enviado à Câmara Municipal em 4 de junho, prevê a criação de uma loteria para arrecadar recursos destinados a políticas públicas nas áreas de saúde, educação, cultura, esporte e segurança. Apesar do argumento financeiro, setores da comunidade evangélica enxergam a medida como perigosa e destrutiva.

Um pastor que congrega na Assembleia de Deus comentou:

“A gente viu a tentativa do Haddad no governo federal para liberar bingo, sempre com o argumento de arrecadar mais para o país. Agora o prefeito apresenta essa proposta aqui, usando a mesma justificativa. Mas a realidade é outra. Jogos de aposta são viciantes, imorais e acabam trazendo muito mais prejuízo do que benefício. É algo inadmissível para qualquer cidadão que entende o impacto disso nas famílias.”

Foto:PMSJC

Dados do instituto PoderData, publicados pelo portal UOL, revelam que 29% dos evangélicos brasileiros já apostaram em plataformas digitais, número superior à média nacional (24%). Ainda segundo a pesquisa, 21% dos evangélicos que apostaram afirmaram ter se endividado devido ao vício em apostas. Os números acendem um alerta dentro das igrejas e entre especialistas sobre o avanço silencioso dessa prática.

O segundo pastor ouvido pela reportagem foi ainda mais enfático:

“Estamos falando de dependência. A aposta compulsiva vira uma doença, destrói lares, arrasa famílias.”

“Nós vemos homens vendendo tudo o que têm, jovens frustrados, gente entrando em desespero e até casos de suicídio por causa de dívidas que não conseguem pagar. E o mais absurdo é que, enquanto o Senado está fazendo CPI para investigar as plataformas de apostas, o nosso prefeito — que participa de reuniões com conselhos de pastores — propõe institucionalizar isso aqui na cidade. É uma decepção enorme. Falta sensibilidade, falta responsabilidade, falta temor a Deus.”

Especialistas em saúde mental também já alertaram publicamente para os perigos dessa prática. O psiquiatra Hermano Tavares, do Instituto de Psiquiatria da USP, declarou em audiência no Senado durante a CPI das Apostas que o vício em jogos de azar é hoje a terceira dependência mais comum no Brasil, atrás apenas do álcool e do tabaco. Ele classificou o transtorno do jogo como uma emergência de saúde pública, com consequências graves como depressão, falência financeira e até suicídio.

“A glamorização do jogo como forma de enriquecimento rápido mascara um problema devastador. A sociedade ainda não compreendeu o tamanho do estrago que isso causa”, afirmou à época.

O projeto de lei permite que a loteria seja operada diretamente pela Prefeitura ou por empresas privadas, por meio de concessão. Na justificativa oficial, o prefeito afirma que o modelo visa ampliar a arrecadação para investimento em programas públicos e que tudo será regulamentado com transparência.

A reportagem do Metrovale entrou em contato com a Prefeitura de São José dos Campos para ouvir o posicionamento oficial sobre as críticas e os riscos sociais apontados, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.

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Esse tema impacta diretamente famílias, jovens e a saúde da nossa cidade. Qual a sua opinião sobre a criação da loteria municipal? Envie seu comentário, sugestão ou preocupação. Sua voz também faz parte dessa discussão.

Nota da redação: O Metrovale seguirá acompanhando esse tema em novas reportagens. A próxima matéria trará o posicionamento de vereadores da base governista que têm ligação com igrejas evangélicas, ou são apoiados por lideranças religiosas. O jornal entrou em contato com os gabinetes e aguarda posicionamento dos parlamentares.

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4 comentários

  • “Ludomania” e “ludopatia” são sinônimos e referem-se ao mesmo transtorno: o vício em jogos de azar, também conhecido como transtorno do jogo patológico. Em ambos os casos, a pessoa tem um desejo incontrolável de jogar, mesmo quando sabe que está a causar problemas na sua vida. Anote aí sr. prefeito!

  • Claro que ele quer criar isso ,pq vai ter lucro pra ele e sabe que é algo viciante, se ele pensasse nas famílias que são destruídas por vícios, não iria apoiar ter isso na cidade que ele cuida ,mas governantes, sendo governantes sempre pensando neles, não na população

  • No meu ponto de vista, joga quer quer, pq eles não criticam o governo federal detentor da loteria da caixa, pq não batem de frente com o governo federal…A consciência é de cada um, ninguém vai forçar o cidadão gastar o que não tem, se fosse assim já para todos estarem a baixo da linha da miséria.

  • Franklin Maciel

    Lamentável que a prefeitura de São José dos Campos SP que aumentou suas receitas nos últimos anos acima da inflação, seja incapaz de administrar o orçamento bilionário e queira explorar o vício em jogos para reforçar o caixa da prefeitura

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