O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), natural de São José dos Campos, decidiu não comparecer a um jantar promovido pelo seu partido no último domingo (25), em Brasília, por conta da presença de ministros do governo Lula no evento. O gesto foi interpretado como uma tentativa de manter distância do Partido dos Trabalhadores e reafirmar sua ligação com o campo da centro-direita, sobretudo ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O jantar, organizado pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, celebrou a filiação do ex-governador capixaba Paulo Hartung, mas teve entre os convidados nomes do primeiro escalão do governo federal, como os ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia), Carlos Fávaro (Agricultura) e André de Paula (Pesca) — todos aliados do presidente Lula (PT).
Segundo apurado pelo jornal Folha de S.Paulo, Ramuth considerou que sua presença poderia enviar um “sinal trocado” ao eleitorado paulista e aos aliados políticos de São Paulo. Ele teria optado por se afastar para não dar margem a interpretações de que o PSD paulista estaria se aproximando do governo federal.
Essa não é a primeira vez que o vice-governador se descola de figuras polêmicas no cenário nacional. Durante a pandemia, enquanto era prefeito de São José dos Campos, Felício Ramuth fez duras críticas ao então presidente Jair Bolsonaro, principalmente pela condução da crise sanitária e pelas falas contra a vacina. A postura crítica, na época, o distanciou da ala mais radical da direita, mas também não o aproximou do PT.
Agora, ao recusar o convite para o jantar com ministros de Lula, Felício parece querer consolidar seu posicionamento como uma figura moderada, mas alinhada ao projeto de Tarcísio e à base conservadora do estado de São Paulo — especialmente com os olhos voltados para 2026, quando estará em jogo a composição da chapa para o governo estadual.
RAMUTH EM POSIÇÃO DELICADA
O gesto também ocorre em meio a movimentações do PL, que quer indicar o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado, como vice de Tarcísio em 2026. Com isso, Felício se vê na necessidade de marcar posição e demonstrar fidelidade ao projeto do atual governador.
A recusa ao jantar é um movimento simbólico, mas revela uma disputa interna dentro do PSD e um jogo de forças que já começa a esquentar os bastidores da política paulista.