O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), destinou R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares a uma fundação ligada à Igreja Batista da Lagoinha, liderada pelo pastor André Valadão.
Os repasses foram direcionados à Fundação Oasis, entidade criada pela igreja em 1995 e que atua em projetos sociais. Parte dos recursos foi destinada por meio de emenda parlamentar encaminhada à Prefeitura de Belo Horizonte.
Um dos repasses ocorreu em 2019, quando o senador enviou R$ 1,5 milhão por meio de emenda ao município, com destinação prevista para a fundação. Outros valores identificados incluem R$ 1,47 milhão enviados em 2023 e R$ 650,9 mil em 2025 para a filial da entidade no município de Capim Branco, na região metropolitana de Belo Horizonte.
As transferências passaram a ser questionadas após parlamentares da base governista acusarem Viana de blindar a Igreja da Lagoinha nas investigações conduzidas pela CPMI do INSS.
A igreja entrou no radar da comissão após revelações de que Felipe Gomes, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios, teria patrocinado um evento de Réveillon promovido pela entidade religiosa em 2024 no Allianz Parque, estádio do Sociedade Esportiva Palmeiras.
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) também levantou suspeitas envolvendo a Clava Forte Bank, fintech ligada à igreja, e o empresário Fabiano Zettel, que já foi pastor da instituição religiosa.
Segundo o parlamentar, há suspeitas de que recursos financeiros teriam circulado entre o Banco Master, a fintech e empresas que estariam sendo usadas para lavagem de dinheiro. Ele afirma, no entanto, que as suspeitas ainda precisam ser comprovadas e defende a quebra de sigilos da fintech e do pastor André Valadão.
Os requerimentos para quebra de sigilo da Clava Forte Bank e de André Valadão ainda não foram analisados pela CPMI.
O que diz o senador
Em nota, a assessoria de imprensa de Carlos Viana afirmou que as emendas parlamentares seguem o que determina a Constituição e as regras do orçamento público.
Segundo o senador, os recursos são encaminhados aos municípios, que ficam responsáveis pela execução dos projetos, escolha das entidades parceiras e prestação de contas, sempre sob fiscalização dos órgãos de controle.
Viana também destacou que recursos destinados à assistência social precisam passar pelo Fundo Municipal de Assistência Social e por conselhos responsáveis pela política pública da área antes de serem executados.
O parlamentar afirmou ainda que projetos sociais mantidos por igrejas têm papel relevante no país e que continuará destinando recursos a iniciativas que atendam populações vulneráveis, desde que estejam dentro da legalidade.