Um novo projeto de lei enviado pelo prefeito Anderson Farias à Câmara Municipal de São José dos Campos está gerando questionamentos e preocupações sobre a moralidade administrativa e o possível uso político da máquina pública. Trata-se do Projeto de Lei nº 259/2025, que “disciplina os critérios e requisitos para ocupação de funções de confiança e cargos em comissão no âmbito do Poder Executivo Municipal”.

?:Reprodução
Embora o texto afirme que não haverá criação de novos cargos ou impacto financeiro, o Anexo Único da proposta revela a criação de 13 novas faixas salariais para cargos de comissão, com vencimentos que variam de R$ 2.032,86 a R$ 14.456,25. Não há, no entanto, qualquer estudo de impacto orçamentário, o que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Brechas para apadrinhamento político
O projeto estabelece que as funções de confiança de natureza gerencial devem ser exercidas, preferencialmente, por servidores com formação superior e experiência compatível. Já os cargos comissionados, que abrangem chefia, direção e assessoramento, poderão ser ocupados por pessoas com “formação compatível” e, em casos excepcionais, até por quem não tenha formação superior — desde que comprovada “capacidade técnica”.
Na prática, isso abre brechas para nomeações políticas, sem concurso público, com base apenas na “confiança” da autoridade nomeante.
Falta de transparência e risco de ilegalidade
O texto não especifica com clareza as atribuições de cada função, usando termos genéricos como “chefia”, “assessoramento” e “direção”, o que vai de encontro à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que exige que cargos comissionados tenham funções bem definidas, voltadas exclusivamente à direção, chefia e assessoramento.
Suspeita de maquiagem administrativa
A proposta afirma não criar novos cargos, mas reorganiza faixas salariais com nomenclaturas novas, o que pode mascarar aumentos salariais e estruturações administrativas com possível impacto financeiro não declarado. Além disso, não há no texto qualquer menção à dotação orçamentária para suportar esses valores, como exige o artigo 169 da Constituição Federal.
Pressa na tramitação
O projeto foi protocolado no dia 7 de maio de 2025 e incluído na pauta para leitura já no dia seguinte, com tramitação em rito urgente. A rapidez levanta dúvidas sobre o real interesse público do projeto e o risco de aprovação sem o devido debate com a sociedade.
O QUE DIZ O PROJETO:
- Até R$ 14 mil de salário para cargos comissionados;
- Nomeações com base em “confiança” e “capacidade técnica” subjetiva;
- Sem estudo de impacto financeiro;
- Funções genéricas e sem descrição detalhada;
- Tramitação em rito urgente.

CONCLUSÃO
A proposta, se aprovada, pode formalizar uma estrutura de cargos comissionados altamente remunerados, com critérios flexíveis que favorecem apadrinhamentos políticos e decisões sem transparência. Sem controle técnico, financeiro e legal adequado, o Projeto de Lei nº 259/2025 representa mais um retrocesso na luta por uma administração pública ética e eficiente.
Para saber mais informações, acessar o site.
? Reprodução
