Prefeitura Paga R$ 46 Mil Para Dois Diretores Da Fundação Cultural Viajarem Para Paris

Viagem internacional bancada com dinheiro público não teve relatório divulgado e ainda levanta dúvidas sobre sua utilidade para os jovens da cidade

A Prefeitura de São José dos Campos, por meio da Fundação Cultural Cassiano Ricardo (FCCR), gastou R$ 46 mil apenas com passagens aéreas para enviar dois de seus principais diretores a Paris, na França, para participar do evento internacional “Marché du Film 2025”. O valor foi identificado em processo de licitação, mas até agora não há qualquer informação sobre os demais gastos da viagem, como hotel, alimentação e transporte, nem sobre os resultados efetivos da participação.

Foto:Google

Os beneficiados com o adiantamento público foram o diretor-presidente Washington Benigno de Freitas e a diretora cultural Bianca Chagas de Aquino Oliveira. Ambos representaram a Fundação Cultural em um dos maiores eventos do setor audiovisual mundial — mas a população ainda não sabe o que foi conquistado, aprendido ou trazido de volta à cidade.

Câmara exige explicações

Diante da falta de transparência, a Câmara Municipal de São José dos Campos enviou, no dia 26 de maio, o Ofício nº 417/GAB/2025 cobrando da FCCR:

Todos os comprovantes da prestação de contas; Justificativas formais da viagem; Relatório de resultados obtidos no evento.

O ofício alerta para a ausência de documentos complementares no Portal da Transparência, exigindo o cumprimento da Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011).

O que Paris tem a ver com os jovens de São José?

A principal pergunta que permanece sem resposta é:

“O que uma viagem de R$ 46 mil a Paris agregou para a juventude e a cultura de São José dos Campos?”

A cidade enfrenta falta de projetos culturais nos bairros, escassez de editais acessíveis para artistas locais, ausência de oficinas permanentes de cinema, teatro ou audiovisual nas periferias e dificuldade de acesso aos espaços públicos de criação artística. Diante disso, o gasto com uma viagem internacional — sem relatório público de impacto — parece desconectado da realidade e das necessidades culturais da população local.

Falta transparência — e pode sobrar para o contribuinte

Até agora, nenhuma nota fiscal, relatório de atividades ou justificativa concreta sobre o que foi feito no evento foi apresentada. A ausência desses documentos pode indicar violação aos princípios da moralidade, eficiência e publicidade, previstos no artigo 37 da Constituição Federal.

A situação pode ser levada ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas caso a Fundação não cumpra o prazo legal para resposta.

A equipe do Metrovale tentou contato com a FCCR e a Prefeitura, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

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