Alice, 19 anos, morreu após ser tratada com dipirona e liberada com “diagnóstico de resfriado” em São José dos Campos.

Alice Modesto Rodrigues, de apenas 19 anos, faleceu na tarde da última sexta-feira (6), quatro dias após procurar atendimento no Hospital Municipal da Vila Industrial, em São José dos Campos, com sintomas respiratórios graves que, segundo a família, foram inicialmente tratados como um simples resfriado.

De acordo com a mãe da jovem, Tereza Cristina Modesto Vieira, os primeiros sintomas — como febre, tosse e dores no corpo — surgiram entre domingo (1º) e segunda-feira (2). Na manhã de segunda-feira (2), Alice procurou o hospital, onde foi atendida, medicada e liberada com diagnóstico de infecção respiratória leve (CID J069). Mesmo debilitada, iniciou um novo emprego já no dia seguinte, terça-feira (3).

Na quinta-feira (5), a jovem retornou à unidade com dores no peito e dificuldade para respirar. Segundo a mãe, após nova consulta, Alice recebeu uma bombinha respiratória e medicamentos — alguns dos quais ela já havia informado ter alergia. Logo depois de ser liberada novamente, desmaiou na recepção do hospital.

Reconduzida à triagem, os exames revelaram pressão e saturação muito baixas. A médica de plantão suspeitou de reação medicamentosa e aplicou soro, mas o quadro continuava grave. Alice relatava dor intensa no peito e falta de ar. Após uma tomografia, foi constatado que ela apresentava pneumonia grave com sangramento pulmonar. Transferida com urgência à UTI, foi intubada, mas sofreu uma parada cardíaca e faleceu às 14h do dia 6 de junho.

Documentos apontam falhas no atendimento

A documentação apresentada pela família mostra que:

Alice foi atendida às 9h27 do dia 2 de junho; Recebeu quatro medicamentos para tratar sintomas de dor, febre e tosse; O diagnóstico foi classificado sob o CID J069 (resfriado não especificado); Não foi solicitada realização de exames de sangue, raio-X ou internação; Após o segundo atendimento, também foi liberada sem observação prolongada; Em menos de 4 dias, foi internada em estado gravíssimo e faleceu.

O atestado de óbito registra como causas da morte: choque séptico, síndrome inflamatória, insuficiência respiratória aguda e infecção aguda da via aérea.

Família quer justiça

O caso tem gerado comoção e revolta nas redes sociais. Familiares e internautas denunciam negligência, omissão e despreparo no atendimento. A família informou que pretende formalizar denúncia no Ministério Público e no Conselho Regional de Medicina (CREMESP).

“Minha filha não era um número. Ela confiou nos profissionais da saúde e foi deixada à própria sorte. Queremos justiça por ela e para que outras famílias não passem por isso”, declarou a mãe.

O que dizem moradores e pacientes

Nas redes sociais, centenas de internautas relataram experiências semelhantes em unidades públicas de saúde em São José dos Campos:

“Tive os mesmos sintomas, fui três vezes ao UPA com dor no peito e não me deram raio-X”, escreveu Tati Kaíque.

“Presenciei o momento em que foi dada a notícia à mãe. Foi muito triste”, relatou Silvia Reis.

“Fui ao mesmo hospital com alergia severa. Só me salvaram porque um médico experiente me atendeu. Faltam profissionais preparados”, comentou Maria Regina Batista.

“Negligência, falta de empatia e de profissionalismo é o que está acontecendo com esses médicos. Que isso não fique como só mais um caso”, desabafou Andreza Moreira.

Prefeitura não se manifestou

A Secretaria de Saúde de São José dos Campos foi procurada, mas informou apenas que o caso está sob apuração interna e, até o momento, não divulgou nota oficial. A unidade é gerida pela SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina).

O velório de Alice foi realizado no sábado (7), no Cemitério Parque das Flores, em São José dos Campos, sob forte comoção de familiares, amigos e moradores da cidade.

“Matéria produzida pelo portal Metrovale com base em documentos oficiais e trechos de reportagem publicada originalmente pelo jornal O Vale.”

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