Por Redação Metrovale | Pindamonhangaba – 06/05/2025
O governo do Estado de São Paulo, comandado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), acaba de realizar uma das transações mais polêmicas do ano: a venda de uma área pública histórica e estratégica em Pindamonhangaba por menos da metade do valor de mercado. A compradora? Uma empresa com sócios ligados diretamente a Paulo Skaf, ex-presidente da FIESP e aliado político do governador.
A área vendida possui 350 hectares e era utilizada desde 1938 para pesquisas científicas agropecuárias — incluindo estudos em bovinocultura, aquacultura, agroecologia, plantas medicinais e melhoramento genético. Pesquisadores apontam que a fazenda era uma das mais completas do estado e de grande importância ambiental, abrigando nascentes de água e vegetação nativa em zona de proteção.
O valor pago pela área foi de R$ 17,1 milhões, mas estudos técnicos da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) apontam que o valor real de mercado deveria ser de R$ 35 a R$ 45 milhões — ou seja, o Estado pode ter perdido até R$ 28 milhões numa única canetada.
A empresa beneficiada, SFA Agro Empreendimentos e Participações, tem entre seus sócios:
Paulo Skaf (Republicanos) Gabriel Skaf (filho de Paulo Skaf) Carlos Eduardo Auricchio (ex-vice da FIESP) Rubens Gonçalves (pecuarista)
A venda foi realizada por meio do Fundo de Investimentos Imobiliários do Estado de SP, sem audiência pública, sem transparência nos laudos e sem envolvimento da comunidade científica. Até mesmo o laudo de avaliação do terreno foi mantido em sigilo, contrariando os princípios da administração pública.
A polêmica cresce diante do fato de que, em 2017, a mesma área havia sido avaliada em R$ 10,5 milhões. Corrigido pelo IGP-M, o valor hoje seria de cerca de R$ 18,5 milhões, o que já colocaria a venda atual como duvidosa — ainda mais quando o próprio mercado estima um valor muito superior.
Pesquisadores, entidades científicas e até deputados estaduais já anunciaram que vão denunciar o caso ao Ministério Público, apontando possível desvio de finalidade, venda irregular de patrimônio público e favorecimento político.
Um governo que vende o futuro da ciência para beneficiar aliados está leiloando o Estado.
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