Uma revisão sistemática e metanálise envolvendo 301 estudos clínicos randomizados revelou que apenas 1 em cada 10 tratamentos não cirúrgicos e não intervencionistas para dor lombar demonstrou eficácia superior ao placebo. Os resultados mostram que, mesmo entre as opções mais utilizadas, os efeitos analgésicos são pequenos e frequentemente pouco confiáveis.
O que é eficaz?
Apenas alguns tratamentos apresentaram evidência de certeza moderada:
- Para dor lombar aguda: anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como o ibuprofeno.
- Para dor lombar crônica: exercícios físicos supervisionados, terapia manipulativa espinhal, bandagens terapêuticas (taping), antidepressivos e agonistas do receptor TRPV1 (como a capsaicina).
Todos os demais tratamentos — como injeções de glicocorticoides, paracetamol, antibióticos, anestésicos, acupuntura e diversas modalidades de fisioterapia — não demonstraram eficácia relevante ou apresentaram evidência de baixa qualidade.
Por que isso importa?
A dor lombar é uma das principais causas de incapacidade no mundo e representa custo econômico elevado tanto para pacientes quanto para o sistema de saúde. Estima-se que 80 a 90% dos casos sejam considerados “não específicos”, sem causa clínica identificável. Apesar disso, há uma proliferação de tratamentos disponíveis no mercado, muitos dos quais sem comprovação científica sólida.
A revisão incluiu dados de estudos realizados em 44 países, com mais de 300 testes controlados por placebo, avaliando 56 diferentes tratamentos ou combinações. A metodologia seguiu rigor científico elevado, com análise estatística de diferenças na intensidade da dor em escalas de 0 a 100 pontos.
Implicações práticas
A pesquisa destaca a importância de avaliar criticamente a real eficácia dos tratamentos oferecidos na prática clínica. Para pacientes e profissionais da saúde, a recomendação é optar por estratégias baseadas em evidências, com expectativas realistas sobre o grau de alívio possível.
Além disso, os autores defendem novos estudos rigorosos e políticas de saúde que priorizem tratamentos custo-efetivos e cientificamente validados.
Fonte: Medscape | BMJ Evidence Based Medicine
