Guarulhos investiga suposta transferência de usuários da Cracolândia para a cidade

GUARULHOS (SP) — A Prefeitura de Guarulhos iniciou uma investigação para apurar se usuários da Cracolândia, região central da capital paulista conhecida pela concentração de dependentes químicos, estariam sendo levados e abandonados em bairros do município. O caso veio à tona após denúncias de moradores e uma publicação do padre Júlio Lancellotti nas redes sociais.

Segundo o religioso, um caminhão da Prefeitura de São Paulo teria deixado dezenas de pessoas, durante a madrugada dos dias 10 e 11 de maio, nas imediações do bairro Parque Santos Dumont, em Guarulhos. A denúncia provocou indignação entre autoridades e moradores da região.

Em nota oficial, a gestão de Guarulhos informou que acionou as secretarias de Segurança Pública e de Desenvolvimento e Assistência Social para investigar os relatos. Equipes da Guarda Civil Municipal também estão envolvidas nas diligências, que incluem coleta de depoimentos de moradores e análise de imagens de câmeras de segurança.

“Se confirmado o transporte e abandono de pessoas em situação de vulnerabilidade, medidas legais cabíveis serão tomadas”, afirmou a prefeitura.

Prefeitura de São Paulo nega

O prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), rebateu as acusações, chamando a denúncia de “absurda” e “inaceitável”. Segundo ele, não houve nenhuma remoção forçada ou transporte de usuários para outros municípios, e todos os atendimentos são devidamente registrados.

O vice-governador em exercício, Felicio Ramuth (PSD), também se pronunciou, negando qualquer envolvimento do governo estadual e sugerindo que a denúncia tenha motivações políticas.

“Não há transporte de pessoas. A Cracolândia está sendo enfrentada com ações integradas de saúde e segurança. Isso é pirotecnia política”, disse Ramuth.

Cracolândia esvaziada

Nos últimos dias, ações da Prefeitura de São Paulo e da Polícia Civil resultaram na dispersão de aproximadamente 200 pessoas que se concentravam na Rua dos Protestantes. Com isso, pequenos grupos se espalharam por outras áreas do centro da capital, como o Viaduto Diário Popular, Minhocão, Travessa dos Estudantes e Bom Retiro.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que houve aumento de quase 50% na procura espontânea por atendimento em unidades especializadas como os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial).

Próximos passos

A investigação conduzida pela Prefeitura de Guarulhos seguirá com base em evidências materiais e testemunhais. O município também deverá notificar oficialmente a Prefeitura de São Paulo para prestar esclarecimentos sobre as acusações.

Por Metrovale Notícias

Matéria adaptada com base em conteúdo publicado originalmente pelos portais O Globo, UOL e Estadão.

Foto: Daniel Teixeira/Estadao / Estadão 

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