Entre os dias 1º de janeiro e 15 de maio de 2025, 163 crianças foram registradas sem o nome do pai em São José dos Campos, segundo dados do Portal da Transparência do Registro Civil. No mesmo período, a cidade registrou 3.079 nascimentos, o que representa um percentual de 5,29% de pais ausentes nas certidões de nascimento.
Esse dado chama atenção para uma realidade silenciosa, mas que impacta profundamente a vida de milhares de crianças desde os primeiros dias de vida. O reconhecimento paterno vai além de uma assinatura no registro civil — está diretamente ligado ao direito à identidade, à afetividade e ao suporte emocional e financeiro.
Especialistas alertam que o abandono paterno é um problema estrutural, agravado por desigualdades sociais e pela falta de políticas públicas voltadas à paternidade responsável. Muitas mães seguem sozinhas, enfrentando dificuldades para garantir o sustento e o desenvolvimento saudável dos filhos.
Em contrapartida, o município ainda não possui unidade do serviço “Família Acolhedora”, que poderia oferecer suporte a crianças em situação de abandono ou negligência, conforme aponta o relatório “Primeira Infância Primeiro”, de 2023.
A ausência paterna precisa ser vista como uma questão social urgente. São necessárias ações educativas, campanhas públicas, incentivo à responsabilização e ampliação de serviços de apoio à família. Não se trata apenas de números, mas de vidas que começam com uma ausência que pode marcar uma existência inteira.
Fonte: Portal da Transparência do Registro Civil
