TJSP DESTACA BENEFÍCIOS CONCEDIDOS A SERVIDORES EM 2024, MAS GREVISTAS ALEGAM QUE MEDIDAS NÃO COMPENSAM PERDAS HISTÓRICAS

Presidente do Tribunal reconhece avanços e aguarda alinhamento com outros Poderes para reajuste da data-base; entidades apontam defasagem superior a 30% desde 2002

SÃO PAULO – Um dia antes da deflagração da greve dos servidores do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), o presidente da Corte, desembargador Fernando Antonio Torres Garcia, reuniu-se com representantes de 16 entidades de classe no Palácio da Justiça. No encontro, realizado na segunda-feira (13), o magistrado apresentou uma série de benefícios já implementados em 2024 e afirmou que o reajuste da data-base aguarda alinhamento com os demais Poderes do Estado.

Segundo o TJSP, entre os avanços concedidos neste ano estão: reajustes nos auxílios alimentação, transporte, creche e saúde; pagamento de indenizações por plantão judicial; antecipações por doenças graves; inclusão de adicionais de qualificação na base de cálculo de benefícios como quinquênios e sexta-parte; indenizações para aposentadoria e exoneração; nomeações de concursados e melhorias nos processos de remoção. Além disso, concursos para diversas áreas, como psicólogos, assistentes sociais, oficiais de Justiça e analistas de sistemas, estão em andamento.

Durante a reunião, Carlos Alberto Marcos (Alemão), representante da Assojuris, destacou como avanço relevante a concessão de auxílio-saúde para pensionistas, grupo que antes enfrentava grande precariedade. O presidente classificou essa medida como uma das que mais lhe trouxe satisfação pessoal.

Ainda assim, as entidades presentes reforçaram a pauta prioritária da categoria, que inclui o pagamento das perdas salariais históricas, a majoração dos auxílios e a elevação do nível de escolaridade para o cargo de escrevente técnico judiciário.

Greve por recomposição integral

Apesar do tom cordial da reunião, a insatisfação entre os servidores permaneceu. No dia seguinte (14), servidores de todo o estado iniciaram greve por tempo indeterminado, com manifestações em diversas cidades, incluindo São José dos Campos. A principal demanda do movimento grevista é a recomposição salarial integral diante de perdas acumuladas estimadas em mais de 30% desde 2002.

A Assetj (Associação dos Servidores do TJSP) afirma que, embora reconheça os benefícios recentes, eles são insuficientes diante da corrosão salarial provocada por anos de reajustes abaixo da inflação. “Não se trata apenas de economia, é uma questão de justiça e dignidade profissional”, disse a entidade em nota.

A greve segue sem previsão de término e a expectativa é de adesão crescente nos próximos dias.

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