Mais de US$ 1 bilhão em petróleo venezuelano foi reclassificado como brasileiro para driblar bloqueios dos EUA. Investigação internacional divulgada em maio de 2025 revela operação clandestina.

Uma investigação da agência Reuters, publicada em maio de 2025, revelou um esquema internacional de reclassificação de petróleo venezuelano como se fosse petróleo bruto brasileiro, com destino à China, em uma manobra para escapar das sanções impostas pelos Estados Unidos à Venezuela.
Segundo a apuração, mais de US$ 1 bilhão em petróleo foi movimentado ilegalmente entre 2024 e o início de 2025. Empresas de rastreamento marítimo e documentos analisados apontam que a fraude envolvia a falsificação de certificados de origem e a manipulação de sinais de localização de navios.

A qdrone view of the Bolivariana de Puertos La Guaira port in La Guaira, Venezuela April 17, 2024. REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria/File Photo Purchase Licensing Rights
Como o esquema funcionava
Navios carregados com petróleo pesado venezuelano do tipo Merey saíam diretamente para a China, mas recebiam documentação adulterada que apontava o Brasil como origem da carga. Em alguns casos, os navios falsificavam seus sinais para simular paradas em portos brasileiros — o que nunca ocorreu de fato.
Outro detalhe técnico do esquema é a reclassificação do produto como “mistura de betume”, categoria que permite entrada facilitada nas refinarias chinesas sem a necessidade de cotas estatais — outra vantagem obtida com o uso do nome brasileiro.
Brasil não está envolvido, dizem fontes
Apesar do uso do nome do país, nenhuma empresa ou órgão brasileiro foi associado ao esquema. A Petrobras declarou que raramente exporta “mistura de betume” e que suas exportações para a China consistem principalmente em petróleo leve do pré-sal.
Especialistas afirmam que o nome do Brasil foi explorado ilegalmente devido à boa reputação do petróleo brasileiro e à ausência de sanções internacionais contra o país.
Impactos e geopolítica
A estratégia ilegal permitiu que a Venezuela elevasse suas exportações para a China, atingindo cerca de 463 mil barris por dia nos primeiros meses de 2025. Além disso, o trajeto direto, sem escalas na Malásia (rota antes comum para driblar bloqueios), reduziu o custo logístico e o tempo de transporte em até quatro dias.
O caso reacende o debate sobre a eficácia das sanções internacionais e levanta preocupações sobre a fiscalização global do comércio de energia.
O que diz o governo brasileiro?
Até o momento, nem o Itamaraty nem a Agência Nacional do Petróleo (ANP) se pronunciaram oficialmente sobre o uso indevido do nome do Brasil. Fontes do setor diplomático afirmam que o tema deve ser tratado com cautela, pois envolve três potências: Venezuela, China e Estados Unidos.
Fonte: Agência Reuters – Publicado em 12/05/2025
Edição e apuração complementar: Metrovale