Foi cremado neste domingo (8) o corpo do médico Rui Noronha Sacramento, condenado no emblemático Caso Kalume, um dos maiores escândalos médicos do país, que revelou um esquema ilegal de retirada de órgãos de pacientes vivos na cidade de Taubaté, nos anos 1980. Rui estava foragido desde outubro de 2024, após a Justiça determinar sua prisão.
O velório e a cremação aconteceram no Memorial Sagrada Família, em Taubaté. A causa da morte não foi divulgada, mas Rui Noronha tinha histórico de doenças cardíacas. Com sua morte, o processo criminal será extinto em relação a ele, assim como ocorreu com outro médico condenado, Pedro Henrique Masjuan Torrecillas, que morreu em outubro de 2024.
TESTEMUNHO CHOCANTE: PACIENTE SE DEBATIA AO SER CORTADO
Durante o júri popular, realizado em 2011, uma enfermeira relatou que viu um dos médicos enfiar um bisturi no peito de um paciente que ainda se debatia, o que reforçou a tese de homicídio doloso. As quatro vítimas — José Miguel da Silva, Alex de Lima, Irani Gobo e José Faria Carneiro — morreram após a retirada dos rins, que seriam enviados a São Paulo para transplantes, conforme denúncia do Ministério Público.
CONDENAÇÃO E RECURSOS
O caso ganhou repercussão nacional após denúncia do médico Roosevelt de Sá Kalume, então diretor da Faculdade de Medicina de Taubaté, feita ao Cremesp em 1987. O inquérito concluiu que os médicos violaram protocolos para diagnosticar a morte encefálica dos pacientes. Laudos do IML revelaram que nem todos os exames exigidos haviam sido feitos, e em ao menos um dos casos o cérebro ainda apresentava irrigação sanguínea, o que comprova que o paciente estava vivo.
Em 2011, Rui Sacramento, Pedro Torrecillas e Mariano Fiore Junior foram condenados a 17 anos e 6 meses de prisão por homicídio doloso. Eles recorreram, alegando cerceamento de defesa, mas o Tribunal de Justiça manteve a condenação em 2021, com redução da pena para 15 anos. Mesmo assim, os médicos seguiram em liberdade e com os registros ativos no Cremesp, já que foram absolvidos nas esferas éticas e administrativas.
PRISÕES SÓ EM 2024
Somente após o STF decidir que condenações por júri popular podem resultar em prisão imediata, a família de Alex de Lima pediu a prisão dos médicos ainda vivos. Em outubro de 2024, a Justiça de Taubaté expediu os mandados. Três dias depois, Pedro Torrecillas morreu. Agora, com o falecimento de Rui Noronha Sacramento, resta apenas Mariano Fiore Junior entre os condenados ainda vivos.
? Matéria adaptada com base em conteúdo do portal OVALE.
