Paciente com câncer denuncia falha grave do hospital PIO XII e espera há mais de 20 dias por cirurgia de urgência

São José dos Campos (SP) – A paciente oncológica Fernanda Alves, de 34 anos, denuncia uma série de erros administrativos cometidos pelo Hospital PIO XII, conveniado ao SUS, que teriam atrasado sua cirurgia de retirada de um tumor e colocado sua vida em risco.

Diagnosticada com câncer retal em 2024, Fernanda recebeu alta após tratamento de radioterapia e quimioterapia, mas em janeiro de 2025 teve confirmação da recidiva do tumor, o que exigia uma nova cirurgia, dessa vez com amputação do reto.

Apesar da gravidade, o pedido da cirurgia sequer foi registrado pelo hospital, segundo a própria equipe médica. Fernanda relata que, em 09 de maio de 2025, o cirurgião Dr. Daniel Zuza lhe informou que daria entrada no pedido e que a cirurgia seria agendada até o fim de maio. No entanto, nada aconteceu.

“Só depois descobri que o pedido nunca foi feito. O hospital trocou o sistema e não treinou os funcionários. O próprio cirurgião confirmou isso para mim, dizendo que o erro foi interno”, afirma Fernanda.

“Eu estou correndo risco. O tumor voltou, estou com dores, e até agora ninguém resolve.”

Internação sem cirurgia e risco de infecção

A situação se agravou em 7 de abril, quando Fernanda foi internada no PIO XII com dores intensas e um novo problema: eliminação de fezes pela vagina, resultado de uma fístula reto-vaginal. O caso, segundo os médicos, exigia cirurgia urgente.

Ela permaneceu internada por cinco dias, fez todos os exames pré-operatórios com anestesista e cardiologista, mas foi liberada sem nenhum procedimento cirúrgico.

“Tenho documentos e prontuários que comprovam isso. Fiz os exames, me disseram que eu seria operada com urgência, e me mandaram embora”, relata a paciente.

Desde então, Fernanda vem tentando resolver a situação com o hospital. Já conversou com a supervisora Stefanie e, mais recentemente, com a coordenadora do ambulatório, Lívia. Mesmo assim, nenhuma resposta concreta foi dada, nenhum protocolo da cirurgia foi encontrado no sistema e nenhuma data foi marcada.

Dor, inchaço e silêncio

O tumor voltou a crescer. Fernanda relata que a região está inchada, endurecida e cada vez mais dolorida.

“É uma recidiva. O risco de espalhar é maior. O psicológico está destruído, porque parece que ninguém se importa”, desabafa.

Ela reuniu áudios, documentos e transcrições de conversas com funcionários do hospital, onde fica claro que o problema foi erro interno da unidade, além da ausência de priorização mesmo diante da gravidade do caso.

Nota da Redação

O jornal Metrovale entrou em contato com o Hospital PIO XII em busca de esclarecimentos sobre a situação. Até o fechamento desta edição, não houve resposta oficial.

O caso será encaminhado ao Ministério Público e à Ouvidoria do SUS para apuração e responsabilização dos envolvidos.

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