“Minha mãe foi deixada numa maca sem cuidado”: filha denuncia abandono no Hospital Municipal de São José dos Campos

Filha relata abandono da mãe no Hospital Municipal e entrega carta aos 21 vereadores — nenhum respondeu

Por Redação Metrovale | São José dos Campos

A moradora Thelma Cristina Barzan escreveu uma carta aberta e entregou pessoalmente a todos os 21 vereadores de São José dos Campos, denunciando os fatos que viveu com sua mãe, Ivone Barzan de Mattos, no Hospital Municipal no final de semana do Dia das Mães.

“Através desse documento quero deixar minha declaração dos fatos ocorridos no Hospital Municipal de São José dos Campos, no último fim de semana. No dia 10/05, véspera do Dia das Mães, a minha mãe Ivone Barzan de Mattos, foi levada pelo SAMU ao Hospital Municipal onde com muita rapidez e eficiência, foi atendida e diagnosticada com um AVC isquêmico.”

“O médico, Dr. Paulo, que a atendeu me chamou em uma sala reservada e relatou que o AVC era muito grande com nenhuma expectativa de reversão, sendo que devido à idade dela, a fragilidade e o quadro de demência eles optaram por cuidados paliativos e não invasivos, sendo que ela seria removida para o Salão Verde onde ficaria mais confortável e que eu deveria ficar com ela segurando sua mão.”

“Minha mãe tem convênio médico na cidade de Santos, e eu relatei que desejava removê-la para lá, mas fiquei insegura que a remoção fosse mais prejudicial a ela e cancelei o pedido.”

“Começou um verdadeiro pesadelo”

“A partir da remoção para o salão verde começou um verdadeiro pesadelo. Minha mãe ficou numa maca dentro do salão sem nenhum medicamento, nenhuma alimentação e nenhum cuidado. Quando perguntei para o médico se ele não iria colocá-la no soro, ele disse que naquele momento a sede não era importante, mas assim mesmo ele prescreveu o soro.”

“Na minha opinião ele só fez essa prescrição para me acalmar, pois a ‘sentença de morte’ da minha mãe já estava assinada.”

“Uma vergonha para nossa cidade”

“O que eu vi e vivi em quase 48 horas dentro do Salão é uma vergonha para nossa cidade. Pessoas sofrendo sem atenção. Aqueles pacientes que tinham acompanhante ainda tinham voz, mas muitos estavam sozinhos, debilitados e abandonados.”

“Se perguntávamos alguma dúvida para as técnicas as respostas eram: estou ocupada, isso é com o médico, não é minha paciente, aguarde um pouco. E isso não aconteceu apenas comigo. Conversando com outros pacientes e acompanhantes a experiência era a mesma: descaso e falta de atendimento.”

“Uma acompanhante me relatou que ficou 3 dias no salão e ela alimentou um paciente com AVC, pois a comida era colocada na maca e ninguém o alimentava, e retiravam tudo intacto. Eu mesma ajudei uma paciente a ir ao banheiro.”

“Comecei a incomodar”

“Quando eu percebi que nada seria feito comecei a me mexer. Falei com o Plantão de Administração, com o supervisor da Enfermagem e comecei a insistir para que minha mãe fosse atendida.”

“Pedi várias vezes que fizessem exame de urina nela, pois ela tinha um quadro de infecção urinária de repetição, mas não fui atendida. Os médicos passavam e diziam que ela era paciente paliativo e ia receber alta.”

“Acredito que comecei a incomodar com minha insistência, e na segunda-feira, dia 12/05, fui informada que ela seria transferida para o Hospital de Retaguarda. Antes da remoção fizeram outras tomografias e diagnosticaram ela com pedra nos rins e pneumonia.”

“O Hospital de Retaguarda deve ser um orgulho”

“O Hospital de Retaguarda deve ser um orgulho para nossa cidade. Acomodações, atendimento de excelência. Minha mãe foi muito bem tratada com carinho e atenção. Medicada e cuidada como todos devem ser.”

“Abatedouro, curral, salão do inferno”

“Vi reportagens sobre os prêmios que o Hospital Municipal recebeu, reportagem sobre a Clínica 3 reformada, mas a emergência do Hospital Municipal é um ‘abatedouro’, um ‘curral’, ‘salão do inferno’. Estes são apenas alguns dos adjetivos que, as pessoas que passam por lá descrevem.”

“A impressão que passa, é que lá é uma triagem, é feito o mínimo para o paciente. Aquele que sobrevive consegue uma vaga digna para ser tratado.”

Apelo aos vereadores

“Muitas outras situações ocorreram mas, para não ficar muito extenso meu relato, eu solicito que o Ilmo. Vereador faça uma visita ao Salão Verde. Não adianta ser uma visita política de 15 minutos, o vereador deve ficar por lá por umas 3 horas e observar aquilo que eu e todos que passam pelo salão veem: descaso, desumanidade, falta de cuidado e falta de atenção.”

“Este documento será entregue a todos os 21 vereadores de São José dos Campos.”

Até o momento da publicação desta matéria, nenhum vereador respondeu à denúncia da moradora.

Posts relacionados

Deixe o primeiro comentário