Instituto Argonauta alerta para cuidados durante a migração anual dos pinguins-de-magalhães
O Litoral Norte de São Paulo registrou, nos dois primeiros dias de julho, a chegada de 32 pinguins às praias da região — sendo que 29 deles já estavam mortos. A informação é do Instituto Argonauta, organização que atua na preservação da vida marinha e acompanha o fenômeno anualmente. Os outros três animais foram resgatados com vida e encaminhados para atendimento veterinário.
A ocorrência marca o início oficial da temporada de avistamento dos pinguins-de-magalhães no litoral paulista. Segundo a bióloga Carla Barbosa, do Instituto Argonauta, a chegada dos animais é um evento migratório natural, que costuma ocorrer entre abril e outubro. Durante esse período, os pinguins deixam suas colônias de origem em busca de alimento, mas muitos acabam não resistindo às adversidades do percurso.
— “É uma migração normal, que acontece todos os anos. O número de encalhes e mortes varia bastante por causa de fatores como correntes marítimas, disponibilidade de alimento e clima. Alguns conseguem retornar à colônia, mas outros acabam ficando pelo caminho”, explica a bióloga.
Fatores que causam mortes
De acordo com o Instituto, muitos pinguins chegam debilitados por conta da longa viagem e enfrentam problemas como o cansaço extremo, a interação com redes de pesca e a ingestão de lixo marinho — o que contribui diretamente para o alto número de mortes.
Além disso, por serem animais que vivem em bando, a separação do grupo durante a migração pode deixá-los desorientados e mais vulneráveis.
Apesar dos números elevados neste início de temporada, o Instituto considera a situação dentro do esperado para a época do ano. Em anos anteriores, o número de pinguins variou significativamente. Em 2022, por exemplo, foram encontrados 55 pinguins, com o primeiro registro em 31 de maio. Já em 2023, o número caiu para apenas 8, com o primeiro avistamento em 24 de junho.
O que fazer ao encontrar um pinguim encalhado
O Instituto Argonauta orienta a população a não tocar, alimentar ou colocar os pinguins em caixas com gelo. Se o animal estiver vivo e tentando sair da água, o ideal é deixá-lo alcançar a faixa de areia e acionar imediatamente as equipes do Instituto.
— “Muitas vezes, os pinguins chegam com a temperatura corporal extremamente baixa. Por isso, ao chegar ao nosso centro de reabilitação, eles passam por um protocolo de emergência com aquecimento, medicação e suplementação”, detalha Carla.
Os animais com chances de recuperação são encaminhados para a unidade de estabilização em São Sebastião ou para o centro de reabilitação em Ubatuba. Após a reabilitação, eles podem ser devolvidos ao mar.
Já os animais encontrados mortos passam por perícia para identificação da causa da morte e têm os restos mortais descartados corretamente.
Contatos para emergência
Caso um pinguim ou qualquer outro animal marinho seja avistado em situação de risco, a população deve acionar o Instituto Argonauta pelos seguintes canais:
? 0800-642-3341
? (12) 99785-3615
Matéria adaptada com base em conteúdo publicado originalmente pelo portal G1 Vale do Paraíba.

Imagem de arquivo – Pinguim-de-magalhães no litoral de SP — Foto: Divulgação/Instituto Argonauta
